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Investigadores europeus regressam ao Canhão da Nazaré

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Máquina que vai ao fundo do mar recolher amostras de água A Marinha Portuguesa no âmbito da investigação científica participa nos meses de Junho e Julho no aprofundamento do conhecimento sobre o maior vale submarino da Europa António Paulo Num esforço conjugado para aumentar o conhecimento sobre o Canhão Submarino da Nazaré, o maior vale […]
Investigadores europeus regressam ao Canhão da Nazaré

Máquina que vai ao fundo do mar recolher amostras de água

A Marinha Portuguesa no âmbito da investigação científica participa nos meses de Junho e Julho no aprofundamento do conhecimento sobre o maior vale submarino da Europa António Paulo Num esforço conjugado para aumentar o conhecimento sobre o Canhão Submarino da Nazaré, o maior vale submarino da Europa, investigadores de vários países europeus vão encontrar-se este Verão ao largo da Nazaré, entre Junho e Julho um projecto denominado “HotSpot Ecosystem Research on the Margins of European Seas” (HERMES). Durante esse período, dois navios de investigação, o NRP “D. Carlos I” da Marinha Portuguesa e o RRS “James Cook”, irão conduzir observações detalhadas deste Canhão Submarino, com o objectivo de identificar as espécies marinhas profundas que aí se encontram e de caracterizar o ambiente extremo em que habitam.

Este estudo desenvolve-se no quadro do projecto europeu HERMES, financiado no âmbito do “VI Programa do Quadro Europeu” e que reúne 45 instituições de investigação europeias entre as quais duas portuguesas, o Instituto Hidrográfico da Marinha Portuguesa e a Universidade de Aveiro. O projecto “HERMES” decorre desde 2005 até 2009 e tem por objectivo aprofundar o conhecimento sobre os ecossistemas marinhos profundos estabelecidos ao largo da Margem Continental Europeia, desde a Noruega até ao Mediterrâneo Oriental e Mar Negro. Os canhões submarinos europeus – e muito particularmente o Canhão Submarino da Nazaré – estão entre as áreas chave onde se foca a atenção do projecto “HERMES” dado constituírem áreas de intensas trocas entre as regiões costeiras e o oceano profundo, potenciando o estabelecimento de ecossistemas específicos. Para compreender as condições que possibilitam o estabelecimento dos ecossistemas profundos ao longo do Canhão Submarino da Nazaré, o navio de investigação português NRP “D. Carlos I” irá realizar um programa de observações multidisciplinares entre Junho e Julho. A Marinha através da equipa de investigadores do Instituto Hidrográfico conduzirá a bordo medições das características físicas, químicas e sedimentares da água do mar entre a superfície e o fundo, características essas que se irão estender a toda a região de influência daquele canhão submarino. Estudos a 5000 metros de profundidade As observações realizadas pelo NRP “D.Carlos I” irão permitir compreender os aspectos que condicionam o estabelecimento da vida marinha dentro do Canhão Submarino da Nazaré. A identificação das espécies marinhas profundas que vivem neste canhão será realizada pelo navio de pesquisa inglês RSS “James Cook”. Durante cerca de uma semana o navio inglês irá perscrutar as profundezas do Canhão Submarino da Nazaré, fotografando e filmando a vida marinha que se estabeleceu nos seus recantos, até profundidades superiores a 5000 metros. Para tal, a equipa de investigadores liderada pelo National Oceanographic Centre de Southampton (coordenadora do projecto HERMES) contará com o “Isis”, um dos apenas oito veículos de controlo remoto (ROV) existentes no mundo com capacidade para operação em profundidades abissais. A missão do RRS “James Cook” iniciou-se no Golfo de Cádiz no início de Junho, e passou recentemente pelos Canhões Submarinos de Setúbal e Lisboa. As missões do projecto “HERMES”, conduzidas pelos navios de investigação NRP “D. Carlos I” e RSS “James Cook” irão desenrolar-se até Julho, complementando a missão já realizada em Maio último pelo navio de pesquisa holandês “Pelagia” do Instituto Real Holandês para a Pesquisa do Mar (NIOZ), também parceiro deste projecto. Este conjunto de dados irá possibilitar uma visão surpreendente da vida estabelecida em ambientes tão extremos como o Canhão Submarino da Nazaré, enriquecendo o nosso conhecimento sobre a fronteira profunda do Mar Português.

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