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Armado Lopes Colunista Santos e pecadoresSem que ninguém lho tivesse encomendado, o cardeal Renato Marino, responsável pelo departamento de justiça e paz do Vaticano, veio fazer publicamente um apelo. Dirigindo-se a todos os católicos, este cardeal apelou a que suspendessem todo e qualquer financiamento à Amnistia Internacional porque, segundo a sua versão, esta organização adoptou […]

Armado Lopes Colunista

Santos e pecadoresSem que ninguém lho tivesse encomendado, o cardeal Renato Marino, responsável pelo departamento de justiça e paz do Vaticano, veio fazer publicamente um apelo. Dirigindo-se a todos os católicos, este cardeal apelou a que suspendessem todo e qualquer financiamento à Amnistia Internacional porque, segundo a sua versão, esta organização adoptou uma política de favorecimento do aborto. Tomei conhecimento deste apelo do cardeal Marino e fiquei pasmado. De espanto, de indignação e de vergonha.

A Amnistia Internacional é uma organização, sem filiação política ou religiosa, que denuncia as situações de violação dos Direitos Humanos e defende todas as pessoas perseguidas e torturadas por “delitos de opinião”. O desempenho da sua actividade, em regime de voluntariado, já lhe valeu o Prémio Nobel da Paz em 1977 e o dos Direitos Humanos das Nações Unidas em 1978. É, ainda, consultora da O.N.U. e tem delegações espalhadas por mais de 150 países.

Pelo contrário, o Vaticano, é um Estado parasita que não produz absolutamente nada. Vive, faustosamente, à custa de quotizações substanciais cobradas às comunidades católicas de todo o mundo. Sustenta uma numerosa elite eclesiástica, permitindo-lhe uma vida de luxo e ostentação. É um dos Estados mais ricos e poderosos do mundo que, no entanto, utiliza essa riqueza em proveito próprio e não para resolver os problemas de fome, doença e miséria que abundam por toda a parte.

Tivesse o cardeal Marino a preocupação de se deslocar ao Darfur, onde as mulheres são violadas e, depois, apedrejadas pela sua própria comunidade. Tivesse o cardeal Marino a preocupação de se deslocar a qualquer campo de refugiados e visse os milhares de crianças sub nutridas que, numa agonia lenta, aguardam a libertação da morte. Tivesse o cardeal Marino a preocupação de suspender os financiamentos dos países católicos ao armamento e à promoção da guerra. Tivesse o cardeal Marino a preocupação de não acoitar, no Estado do Vaticano, toda uma matilha de criminosos e marginais, perseguidos pela justiça e com mandatos de captura. E, decerto, não o incomodaria o facto da Amnistia Internacional tentar alertar para o direito das mulheres, vítimas de violação e incesto, recorrerem ao aborto como forma de salvaguardar a sua integridade, física e moral.

Acontece que, o cardeal Marino, no conforto do seu gabinete, não tem tempo nem disposição para se preocupar com estas situações dramáticas. Também, seria uma maçada emporcalhar a seda, damasco e caxemira das suas vestes cardinalícias, com o pó e a transpiração desses hipotéticos “bordéis”. Não, o cardeal Marino está habituado ao ouro, incenso e mirra do Vaticano. O cardeal Marino está investido do superior desígnio de ser um caixeiro-viajante divino, a quem está destinado vender o céu aos bocadinhos. E, quanto a barrigas grandes e inchadas, só conhece a sua, adquirida ao fim de anos sucessivos de boa vida e comezainas. Como é que ele há-de saber das outras barrigas avantajadas, provocadas pelas violações e pela subnutrição?…

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