TLEBS vai acabar com a “confusão”

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Professores, Pais e Alunos PreocupadosA nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS), provada pelo Ministério da Educação no final de 2004, começa a generalizar-se a partir deste no lectivo, tendo estado até aqui em fase experimental de implementação em 17 escolas do país.Clara BernardinoO processo de criação de uma nova terminologia teve […]

Professores, Pais e Alunos PreocupadosA nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS), provada pelo Ministério da Educação no final de 2004, começa a generalizar-se a partir deste no lectivo, tendo estado até aqui em fase experimental de implementação em 17 escolas do país.Clara BernardinoO processo de criação de uma nova terminologia teve início há mais de 10 anos, quando cerca de 15 mil professores de Português participaram em acções de formação para identificar as “lacunas” da Nomenclatura Gramatical Portuguesa, em vigor desde 1967.Para Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português (APP), a TLEBS tem como objectivo fundamental a uniformização de termos e de conceitos que afirma terem variado muito de escola para escola, nos últimos anos, lançando “uma grande confusão” na aprendizagem da Gramática.

“Em 1967 foi introduzida uma terminologia, mas no pós-25 de Abril essa Gramática foi muito posta em causa e surgiram novos termos, que passaram a coexistir com os outros. Cada professor ensinava de uma forma”, explicou o responsável pela APP.Nome ou substantivo, complemento directo ou complemento objecto directo são apenas alguns exemplos de termos diferentes utilizados até agora para referir a mesma coisa, adiantou Paulo Feytor Pinto, considerando que até a definição de alguns conceitos variava de manual para manual.”Ao contrário do que se pode pensar, a nova terminologia não vai lançar a confusão. A confusão está instalada há três décadas e o que se pretende é exactamente acabar com ela”, defendeu.A introdução da TLEBS pretende, além disso, integrar novos conhecimentos da Gramática e da Linguística, que não existiam há quase quatro décadas, e revalorizar o ensino das regras da Língua Portuguesa, que a Associação afirma ter sido muito negligenciado nos últimos anos.Apesar dos argumentos, o responsável afirma que a TLEBS tem provocado “sentimentos ambivalentes” entre os professores da disciplina, que, à semelhança dos alunos que ensinam, vão também ter de “aprender muito” para conhecer os novos termos.”Isso gera alguma angústia, mas sabemos que a mudança é inevitável, com a evolução do conhecimento. Um professor de Ciências também tem de rever a constituição do sistema solar que aprendeu porque Plutão deixou de ser considerado um planeta como os outros. São coisas normais”, afirmou.Com a nova terminologia, a palavra substantivo é definitivamente substituída pelo nome, a oração dá lugar à frase e o complemento circunstancial passa a chamar-se modificador, entre várias outras alterações.O novo sistema entrou em vigor em 2004/2005, mas só este ano começou a ser aplicado de forma generalizada, para já no 3.º, 5.º e 7.º anos de escolaridade, devendo abranger todo o sistema de ensino em 2009.Não é um ProgramaPara os mais críticos, estas novas regras vão afastar os alunos do Português. Jorge Morais Barbosa, professor da Universidade de Coimbra, diz que os alunos “têm coisas mais importantes para aprender”, como “ler e escrever bem e sem erros”. “Devem deixar-se essas preciosidades para quem quer estudar linguística na universidade”, opina. Também Álvaro Gomes, linguista da Universidade do Minho e autor de uma gramática onde introduz a TLEBS, prevê que os alunos tenham “graves problemas de aprendizagem”.José Saramago, Graça Moura, Prado Coelho, Maria Alzira Seixo e Jorge Morais Barbosa, entre outros, subscreveram um abaixo-assinado a pedir a suspensão imediata da aplicação da terminologia.Se a TLEBS for suspensa vai legitimar-se que fique tudo como está, justifica João Costa. “A TLEBS foi feita porque os programas não seguiam a nomenclatura que estava em vigor.” João Costa admite que a terminologia “esteja a causar alguns problemas, mas é bom que os professores tenham que estudar e investir na gramática”.Os presidentes da APP e da APL dizem que “a TLEBS é uma terminologia e não um programa”, ou seja, deve ser adequado a cada uma das idades. “A imagem que se está a passar é que os estudantes vão decorar e debitar palavras e não é isso que vai acontecer”, assegura João Costa. Para Filomena Viegas, professora de Língua Portuguesa, responsável no ME pelo acompanhamento em linha da TLEBS, “A TLEBS não pode ser entendida como um receituário de termos para professores e alunos memorizarem e papaguearem nas aulas. Cabe aos professores o trabalho da transposição didáctica dos termos a usar em cada ciclo de ensino, no respeito dos programas em vigor”.

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