Derrocadas e deslizamentos de terras foram consequência dos fortes caudais de água que rolaram pelas ruas da vilaChuvada forte provoca inundações e prejuízos na Nazaré Com o Verão a despedir-se a Nazaré foi inundada com as águas de uma forte bátega deixando alguns comerciantes a fazer contas aos danosAntónio Paulo Na Nazaré o Verão despediu-se tal como chegou: com uma forte chuvada, que desde as partes mais altas, por falta de escoamento provocou a formação enormes cascatas de água que contribuíram para deslizamentos de terras e abatimentos de calçadas, arrastando toneladas de areias, lamas e pedras, que foram depositar-se em grande na parte na baixa da vila, em particular na praça Sousa Oliveira, vulgarmente conhecida como a praça das “Esplanadas”. Aos primeiros alvores do passado dia 21 de Setembro, entre as seis e as sete horas, os primeiros edifícios a sofrerem a invasão das águas e lamas, foram a Escola Secundária Amadeu Gaudêncio e o quartel dos Bombeiros Voluntários da Nazaré, com este último a ficar inundado no mesmo anexo igualmente afectado aquando das chuvadas d o passado 14 de Junho, danificando na altura, várias viaturas e material. Desta vez os prejuízos dos soldados da paz foram bem menores, mas os comerciantes, em particular, os instalados na praça Sousa Oliveira, que ficaram impedidos de abrir as portas dos estabelecimentos durante quase todo o dia, devido à quantidade de água e lama retidas no interior, principalmente nas caves onde estavam armazenadas bebidas e arcas frigoríficas, tinham razões de sobra para deitar contas à vida.
Em plena acção de limpeza e já com vários sacos com vestuário danificado amontoados, na loja de pronto-a-vestir “Pautónia”, os prejuízos eram tidos “como muito elevados”, com a marca do nível das águas fixado em cerca de 15 centímetros acima do chão da loja. “Quando cheguei para abrir o restaurante dei com barris de cerveja e as arcas frigoríficas a boiar, e ainda por cima tive de retirar a grelha de uma das sarjetas no exterior”, explicava João Silva do restaurante “Lota”, manifestando “revolta” com a falta de rapidez na limpeza da praça durante a manhã. No café “Támar” a cave foi inundada, provocando prejuízos na mercadoria e num computador, com Maria Galveias a recordar que “a água que caía pelas escadas de acesso à cave parecia uma cascata, tal era a força com que entrou no estabelecimento”.O regresso dos sumidoros Ainda que reconhecendo a intensidade da chuva, de um modo geral os comerciantes apontavam as suas críticas para a falta de limpeza das sarjetas, uma acusação refutada pelo presidente da autarquia, Jorge Barroso, ao sublinhar que “na semana anterior, perante a previsão de mau tempo, eu próprio dei indicações para que a limpeza das sarjetas fosse efectuada, mas de dia e não de noite ou madrugada, para que todos vissem que estavam a ser limpas”. “A resposta aos pedidos de limpeza foi excelente, e as pessoas têm que perceber que isto foi uma situação anormal”, sublinha Jorge Barroso argumentando que “os próprios detritos, folhas, lamas e pedras arrastados pelas águas ao depositarem-se nas grelhas das sarjetas fazem com que estas fiquem tapadas”. Para obviar a esta situação no curto prazo, o autarca pondera voltar a criar sumidoros em locais estratégicos, a par de instalar barreiras para conter as águas em zonas de maior fragilidade, como já sucede na rotunda do antigo Matadouro, a partir da qual a enxurrada invadiu o quartel dos bombeiros nazarenos. Em último recurso, Jorge Barroso não descarta a possibilidade de uma intervenção no subsolo para aumentar o diâmetro das condutas de esgotos pluviais de modo a potenciar uma maior capacidade de drenagem numa malha urbana, cujos solos estão altamente impermeabilizados, na sequência do fortíssimo surto de construção imobiliária registado nos últimos anos.




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