No areal nazareno as crianças das colónias de férias não têm ao seu dispor uma única casa de banhoAreal da Nazaré sem casas de banho para uso das crianças das colónias de fériasA praia da Nazaré recebe colónias com centenas de crianças que sem casas de banho têm de ir ao café ou percorrer centenas de metrosLiliana João“Esta é uma situação inadmissível”. É assim que Isabel Ferraz, educadora da creche da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré (CNSN), classifica a actual falta de casas de banho para a utilização das crianças das várias instituições que procuram a praia da Nazaré, durante o mês de Julho, sublinhando que “todos os anos esta situação tem vindo a repetir-se, sem que a autarquia faça algo para a ultrapassar”. Revoltada, Isabel Ferraz, explica que “no ano passado prometeram que colocariam casas de banho, mas estas nunca chegaram a aparecer. Este ano, a história repete-se”, salientando a educadora “o quanto é complicado lidar com esta situação”.
Em Julho cerca de 300 crianças estão diariamente, de segunda a sexta, no areal da praia da Nazaré, não dispondo de uma casa de banho contígua ao espaço que lhes está reservado, para que possam fazer as suas necessidades fisiológicas. As duas instalações sanitárias públicas mais próximas do espaço reservado às colónias infantis, ficam situadas na praça Manuel Arriaga e junto ao Mercado Municipal, respectivamente, a cerca de 300 e 150 metros.“As crianças, ou fazem na areia, ou então temos que ir a um café com elas”, explicou Isabel Ferraz, sublinhando que “é sempre uma situação muito complicada, já que se saímos com alguns para ir ao café, e as outras crianças ficam com menos um elemento adulto para as vigiar”. Para além de nem todos os proprietários dos cafés verem com bons olhos as casas de banho utilizadas por quem não gera receita e porque entendem que não têm a obrigação de se substituir às instituições públicas, e da situação da insegurança criada com estas deslocações, estes não são os únicos inconvenientes gerados com a falta de casas de banho. “Uma total falta de higiene”Para além de anti-pedagógico, a falta de higiene também preocupa educadoras e auxiliares, já que “muitas das crianças urinam no areal” porque “não podemos estar sempre a sair do recinto para irmos ao cafés”, obrigando a que adultos e crianças convivam “numa total falta de higiene”, como sublinhou, sob anonimato, uma das educadoras.Por seu lado, Ana Reis, directora pedagógica da Fundação Vida Nova de Alcobaça (FVNA), explicou que “há já bastantes anos que a Nazaré é a praia escolhida para ser frequentada pelas crianças da instituição, e nunca tivemos casas de banho no areal”. “Como esta situação já se repete há muitos anos, nós tivemos que aprender a dar-lhe a volta”, contou a directora, explicando que as cerca de oito dezenas de crianças da FVNA, fazem as necessidades “num baldinho de praia, com um saco plástico, que depois deitamos no lixo”. Esta foi a alternativa encontrada por educadoras e auxiliares da instituição alcobacense para ultrapassar esta situação, que Ana Reis, frisa, “todos os anos se repete”. Para além da falta de casas de banho, Ana Reis denunciou ainda mais duas situações que em nada contribuem para o bem estar das crianças e educadores. “Quando chegamos de manhã, as barracas que temos ao nosso dispor, cheiram muito mal”, contou a directora, sublinhando que “não há qualquer tipo de limpeza ou manutenção por parte da autarquia do espaço reservados às colónias”, sugerindo que “as barracas deveriam ser retiradas à noite e colocadas de manhã, diariamente, porque, por exemplo, os cães urinam durante a noite lá dentro e de manhã o cheiro é insuportável”. A falta de espaço para cada uma das colónias, é um outro aspecto que Ana Reis chama a atenção, referindo que “o espaço delimitado é igual para todos, independentemente do número de crianças de cada instituição”.“Devem continuar a ir aos cafés”Teresa Botas, coordenadora pedagógica da CNSN, confirmou ao REGIÃO que “esta situação repete-se anualmente”, sendo “habitual”, educadoras e auxiliares já saberem que têm que lidar com a situação. No entanto, Teresa Botas adianta que “com alguma antecedência, este ano, foi enviado um ofício à Câmara Municipal da Nazaré, a solicitar a instalação de casas de banho próximo do recinto reservado às colónias, sendo colocada a hipótese de serem do tipo móveis”. De acordo com a coordenadora pedagógica, a resposta da autarquia foi negativa, com a justificação de que “as casas de banho seriam vandalizadas durante a noite”. A alternativa de as casas de banho serem colocadas de manhã e retiradas à noite, foi então sugerida pela directora, mas de novo a resposta foi negativa, entendendo a autarquia que “esta não seria uma solução viável”. Ao REGIÃO, outra educadora que optou pelo anonimato, referiu que alguns pais já foram perguntar na Câmara Municipal o porquê de não haver casas de banho na praia para as crianças da colónia, e a resposta que obtiveram, foi a de que “as educadoras devem continuar ir aos cafés com as crianças. Quando os pais alertaram os responsáveis autárquicos sobre o facto do número de adultos a vigiar as crianças ficar então reduzido, com a consequente quebra dos padrões de segurança, a resposta foi a de que “isso não tem importância”. A menos de semana e meia do encerramento das colónias de férias, só se pode pedir às crianças um pouco mais de “aperto”, às educadoras e auxiliares que dêem “mais umas corridinhas” ao café mais próximo sempre que um dos jovens “não aguente mais”, e aos donos dos cafés que façam a boa acção de “acolher gratuitamente” nas suas instalações sanitárias os “mais aflitos”. À autarquia resta pedir “por favor” que “até Julho do ano que vem”, encontre “uma solução para acabar com esta vergonha”, como referiram ao REGIÃO os pais de uma das crianças.




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