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Uma luta sem tréguas que não pode terminar

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No Dia Mundial Contra a Droga a Nazaré marchou simbolicamente contra este flagelo socialDia Mundial de Luta Contra a Droga foi assinalado no passado dia 26 de JunhoNo passado dia 26, foi comemorado mais um Dia Mundial de Luta Contra a Droga, numa altura em que se atingem os 200 milhões de consumidores em todo […]

No Dia Mundial Contra a Droga a Nazaré marchou simbolicamente contra este flagelo socialDia Mundial de Luta Contra a Droga foi assinalado no passado dia 26 de JunhoNo passado dia 26, foi comemorado mais um Dia Mundial de Luta Contra a Droga, numa altura em que se atingem os 200 milhões de consumidores em todo o mundoLiliana JoãoCom mais de 200 milhões de consumidores de cannabis, cocaína, heroína, ecstasy e outras drogas em todo o mundo, este é um flagelo que afecta o mundo moderno. A problemática da droga é uma realidade que socialmente afecta os indivíduos, as famílias e a sociedade em geral, de uma forma transversal em relação ao género, estatuto social, cultural e económico dos envolvidos. No entanto, e tendo em conta vários estudos, está provado o aumento exponencial que o consumo de estupefacientes tem tido junto das camadas mais jovens da população, e a sua infiltração, cada vez mais profunda, no tecido social não só urbano, mas também rural.

Neste sentido, à semelhança de muitos concelhos do país, a Nazaré também se aliou a este movimento, e no sentido da comemorar o dia, a Cooperativa de Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas da Nazaré (CERCINA), promoveu uma caminhada pela marginal, que contou com o apoio do Instituto das Droga e Toxicodependência (IDT), da Câmara Municipal da Nazaré, Confraria de Nossa Senhora da Nazaré e de outras instituições do concelho. Esta simbólica caminhada teve a participação de cerca de sete dezenas de pessoas, na sua grande maioria jovens e idosos, que vieram de vários pontos do concelho, e memo de outros municípios do distrito. Dina Rosa, de 20 anos, e utente da Organização de Apoio e Solidariedade e Integração Social (OASIS) de Leiria veio caminhar na Nazaré “na esperança que as pessoas entendam que as drogas fazem muito mal”, aproveitando para lembrar que “tabaco e o álcool também são drogas, que como as outras drogas mais pesadas também fazem muito mal à saúde”. Também Maria Bartolomeu, de 73 anos, vinda de Famalicão da Nazaré, resolveu participar nesta marcha porque entender que “a droga é um mal que não gostaria de ver no futuro”. “Não acredito que este mal desapareça, mas vou continuar a lutar”, afirmou.Joaquim Pequicho, director da CERCINA, referiu que esta caminhada se tratou de “mais um exercício de cidadania por parte da instituição”, servindo também como “alerta de consciências e para os problemas dos consumos ligados à toxicodependência”. A CERCINA tem vindo a desenvolver uma acção global e estruturada no âmbito da Prevenção Primária das Drogas, “uma preocupação da instituição”, como sublinhou Joaquim Pequicho, alertando para “a alteração dos consumos que tem vindo a acontecer na sociedade, nomeadamente em relação a consumos recreativos, normalmente relacionados com o álcool e o tabaco”. Explica o director da CERCINA que “o tabaco e o álcool são drogas lícitas na nossa sociedade, sendo contudo, o tabaco a droga que continua a matar mais no nosso país”.Nazaré: bons acessos potenciam tráfico “Os números são sempre preocupantes, já que o concelho da Nazaré é dotado de acessibilidades que possibilitam as movimentações dos traficantes e consumidores, que são sempre muito complicadas de controlar”. É assim que Reinaldo Silva, vereador da Câmara Municipal da Nazaré e responsável pelouro da Acção Social diagnostica a situação do concelho nazareno face ao tráfico e consumo de estupefacientes, vendo no Verão “a época do ano mais problemática, devido ao facto de a vila ser tradicionalmente turística”. “A Nazaré está colocada geograficamente de tal maneira que potencia as situações de tráfico e consumo”, reforçou Reinaldo Silva, lembrando “o papel fundamental que a PSP da vila tem tido para que este problema não tenha dimensões maiores”. A problemática da toxicodependência da Nazaré, de contornos bastante acentuados, levou a que a Câmara Municipal da Nazaré tomasse a atitude de disponibilizar uma viatura para transporte dos toxicodependentes, inseridos em programas de tratamento, ao Centro de Atendimento de Toxicodependência (CAT) de Leiria. No entanto, o número aumentou de toxicodependentes aumentou, e no âmbito do Projecto de Luta Contra a Pobreza, foi implementada localmente uma Consulta de Tratamento de Toxicodependentes, projecto este que veioa terminar em Julho de 2003. Esta consulta passou a ser assegurada através de um protocolo celebrado entre a Sub-Região de Saúde de Leiria, o IDT, a autarquia, Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, entidades responsáveis pelo funcionamento da consulta. A equipa técnica desta consulta é composta por um médico, um enfermeiro, dois psicólogos, duas técnicas superiores de serviços social e um administrativo, e funciona todas as segundas, quartas e sextas-feiras, das 9 às 13 horas, no Centro de Saúde da Nazaré. Em 138 processos abertos, 98 utentes estão a ser acompanhados, sendo na sua maioria homens (88 por cento). A faixa etária predominante entre os utentes é a dos 31 aos 40 anos (61 por cento), sendo na sua maioria solteiros, e que em média, se iniciaram no consumo de drogas por volta dos 21 anos. Maioritariamente relacionado com a dependência física e psicológica da heroína, o pedido de ajuda existe também para casos de consumos de cocaína, cannabis, e abuso de medicação e álcool. Quando um doente chega à consulta feita uma avaliação inicial, sendo posteriormente definido um projecto terapêutico, com acompanhamento psicológico, médico social e familiar – a família do utente também é acompanhada durante o tratamento. Segundo informação desta equipa, 18 por cento dos utentes encaminhados através da consulta são integrados no Programa Vida – Emprego do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), sendo mais significativa a percentagem dos que conseguiram a implicação da família no tratamento nas situações de acompanhamento, sendo esta taxa de 84 por cento.“O trabalho que tem sido feito no concelho tem sido muito significativo”, reconhece Reinaldo Silva. No entanto, o vereador, admite que uma das suas grandes preocupações incide na “necessidade de continuar a existir algum apoio governamental, ainda que seja pouco, para que o trabalho que tem sido feito não morra”. Alcobaça: saber lidar com uma doença crónicaElisabete Pedrosa, assistente social do Centro de Saúde de Alcobaça, disse ao REGIÃO que no concelho de “existe uma situação controlada, com o tecido social a habituar-se a lidar com a toxicodependência”. Sem nunca adiantar números, Elisabete Pedrosa refere que “a maioria dos casos que me chegam são casos de adolescentes, que têm um contacto experimental com as drogas, e que nós tentamos resolver com os serviços locais, com acompanhamento do psicólogo da escola e com o nosso, tanto ao adolescente como à família”. “Também nos chegam casos de pessoas a partir dos 25 anos, numa idade madura, que vêm com a pressa de quererem mudar de vida, e vêm na sua maioria, à procura de um tratamento físico, ou seja, a desintoxicação”. No entanto, seja qual for o tipo de droga que se consome e o grau da sua dependência, a assistente social adverte que “sem força de vontade da parte do doente, e do imprescindível apoio da família, que deve saber dizer não ao doente, nada se consegue”. Admitindo que a toxicodependência é “uma doença crónica, que é preciso saber lidar e controlar”, Elisabete Pedrosa diz que “apesar de tudo, temos casos felizes”. As freguesias de Pataias, Martingança, Benedita e São Martinho são as mais problemáticas no concelho, mas a assistente social garante que “em termos de resposta, não há nenhum toxicodependente que peça ajuda e não a receba”. Para além do gabinete do Assistência Social do Centro de Saúde para o apoio à toxicodependência, é ainda desenvolvido um projecto no Mercoalcobaça, todas as quintas-feiras, pelas 21 horas, de apoio às “Famílias Anónimas”, onde “as famílias dos toxicodependentes são ajudadas a lidar com os doentes”. Admitindo que “talvez seja o Centro de saúde que tem mais contacto com as situações de toxicodependência do concelho, Alcina Gonçalves, vereadora da Câmara Municipal de Alcobaça, responsável pelo pelouro da Acção Social explicou ao REGIÂO que “durante três anos tivemos uma parceria com o IDT, onde a Câmara de Alcobaça participava e o nosso departamento de Acção social fazia campanhas de prevenção com as crianças e com os pais, mas este programa terminou há dois anos e desde então, a autarquia não tem uma intervenção muito directa no apoio à toxicodependência”.

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