Devoção e tradição irmanadas

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Círio de Nossa Senhora da Vitória cumpriu-se em “Quinta-feira de Ascensão”O Círio de Nossa Senhora da Vitória, não terá a dimensão de romarias, como a da Senhora de Alcamé, em Vila Franca de Xira, e está incomensuravelmente distante da grandeza e das vivências impressionantes da peregrinação à Virgem del Rocio, em Almonte, no sul da […]

Círio de Nossa Senhora da Vitória cumpriu-se em “Quinta-feira de Ascensão”O Círio de Nossa Senhora da Vitória, não terá a dimensão de romarias, como a da Senhora de Alcamé, em Vila Franca de Xira, e está incomensuravelmente distante da grandeza e das vivências impressionantes da peregrinação à Virgem del Rocio, em Almonte, no sul da vizinha Espanha, mas em devoção e a tradição os nazarenos são imbatíveis. Resistem e lutam pela manutenção de marcas identitárias que os caracterizam da sua labuta com a dureza do mar.

Assim sucedeu uma vez mais em “Quinta-feira de Ascensão” com cerca de seis dezenas de cavaleiros e amazonas, uns mais que outros trajados a rigor, e com largas centenas de outros romeiros que “montados” em “cavalos motorizados”, e uns quantos a pé, acorreram à praia da Vitória, na freguesia de Pataias, para venerarem na pequena capela sobranceira ao oceano, a Senhora, a quem os nazarenos atribuem a graça de ter salvo toda a companha dum batel virado em frente à costa local, no início do século passado. Outros crentes, mas menos praticantes, ficaram-se pelos prazeres das sombras das matas vizinhas, ou pelo dourado areal, mais dados aos “pecados” de dar conta de bom farnel, naturalmente bem regado. Para poderem cumprir com a sua devoção e com os rituais mais terrenos, os romeiros do Círio tiveram de cumprir ao longo de toda a manhã, os cerca de dez quilómetros que separam a Nazaré da Capela da Senhora da Vitória. Isto depois da concentração junto à antiga Lota, e do desfile pelas ruas da vila rumo ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, para serem cumpridas as três voltas ao templo e cantadas as Loas, numa caravana encabeçada pela filarmónica, seguida pelos “três anjinhos” transportados em charrete, e a cavalo, pelo jovem casal de juízes e aqueles que no próximo ano lhes sucederão na organização de um novo Círio, e também pelos cavaleiros e amazonas que de ano para ano vêm engrossando a romaria. Com a chegada à Capela da Senhora da Vitória há que cumprir, uma vez mais, as três voltas ao templo e o “Canto das Loas”, sob o olhar atento dos párocos. Os mais devotos recolhem-se à pequena capela que rapidamente esgota para participarem na missa. Os mais dados aos prazeres terrenos partem para retemperar energias e darem algum descanso às montadas. Com a hora do regresso há que repetir todo o ritual da chegada, voltar a percorrer os dez quilómetros de estrada – que os mais antigos recordam como de terra e feita a cavalo em burros -, para chegados ao Sítio, serem dadas três novas voltas ao Santuário e (re)cantadas as Loas. Finalmente, já bem ao final da tarde, o Círio regressa à praia da Nazaré. Para o ano o Círio de Nossa Senhora da Vitória voltará a repetir-se, com mais cavaleiros e amazonas, com muitos mais romeiros a pé, de carro ou de moto, até porque se “convida toda a população a participar”, mas com a devoção e a tradição de sempre das gentes nazarenas.

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