A Igreja de São Gião vai começar a ser restaurada este anoNazaré conta com monumento visigótico raro na Península Ibérica Descoberta há quarenta anos a ermida vai ser recuperada e abrirá ao público em 2008António PauloA Igreja de São Gião, na Nazaré, um dos raros vestígios da presença visigótica na Península Ibérica, descoberto no meio de um estábulo e classificado desde Janeiro de 1986 como Monumento Nacional, vai começar a ser restaurada em 2006, anunciou o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR). Estudos de arqueólogos e historiadores realizados ao longo da última década permitiram um conhecimento aprofundado do edifício e a elaboração do projecto de restauro do monumento, encontrado há 40 anos, mas que tem está encerrado ao público por se encontrar em ruínas.
Numa reacção ao anúncio daquele organismo, Jorge Barroso, presidente da Câmara Municipal da Nazaré, relembra que “a Igreja de S. Gião desde sempre nos mereceu uma atenção especial e em parceria com o IPPAR, conseguiu-se desbloquear alguns problemas que rodeavam o arranque da sua conservação e recuperação”. Para o autarca agora é importante que “dentro dos condicionalismos que rodeiam uma intervenção desta natureza, que a recuperação se faça bem e rapidamente, e que sobretudo, se equacione qual vai ser o futuro daquele espaço em termos de utilização, porque não importa apenas estar a recuperar a igreja para depois votá-la de novo ao abandono”. A Igreja de São Gião, está situada a cerca de 5 quilómetros a sul da Nazaré – na freguesia de Famalicão -, à margem dos contrafortes da Serra da Pescaria e a aproximadamente a 600 metros do Oceano Atlântico. A sua origem e datação não se apresentam como consensuais e permanece obscura. Segundo a teoria mais antiga seria um templo visigótico, de feição cristã datado do século VII, o mais antigo do género na Península Ibérica. Estudos mais recentes levam a crer que a sua edificação data do século X, da época moçárabe, dado que a sua estrutura apenas se adequaria aos rituais antigos do cristianismo hispânico de influência bizantina.Não obstante a falta de consenso quanto à sua origem, a Igreja de S. Gião constitui, sem dúvida, um dos mais antigos edifícios de rito cristão antigo existentes em território nacional. A igreja esteve aberta ao culto de S. Gião até à segunda metade do século XVII, época em que começou a cair em ruína e em 1702 já servia de curral de gado, após o que foi abandonada. A frontaria conserva uma pequena porta com lintel e arco de descarga. O interior é de uma só nave, ao fundo outra nave transversal, separada da primeira pela “iconostase” ou anteparo (isolando o altar e o coro, pois só a nave era destinada aos fiéis; sendo este o único no país), erguido até ao tecto e rasgado por uma porta central e duas aberturas laterais em janela, todas rematadas por arcos peraltados. De ambos os lados, existem portas em arco assentes em capitéis e colunas.A decoração de características singulares está esculpida nas impostas, nos capitéis e nos ábacos através de folhas de acanto; “esses” encadeados; nervuras oblíquas em dentes de serra; quadrifólios e pentafólios; losangos arqueados inscritos em círculos; arquinhos ultrapassados; espinhas de peixe; palmas e palmetas, estas últimas de inspiração bizantina.




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